💬 “A maturidade da marca se mede pela sua capacidade de dizer não.”
Vivemos a era do demais.
Demais canais. Demais formatos. Demais campanhas.
E, paradoxalmente, o que falta é o que mais sustenta uma marca: direção.
O desafio atual das empresas não é falta de ideias.
É excesso de iniciativas sem norte.
Planos de marketing inflados, agendas sobrecarregadas e discursos que se multiplicam mais rápido do que se consolidam.
No meio desse barulho, a verdadeira vantagem competitiva não está em fazer mais — está em escolher melhor.
O papel do marketing estratégico, hoje, é filtrar.
Filtrar o que faz sentido, o que sustenta o posicionamento e o que realmente gera valor.
A falsa sensação de movimento
No universo corporativo, ação costuma ser confundida com avanço.
Mas nem todo movimento é progresso — às vezes, é dispersão.
Um estudo clássico da Stein IAS, em parceria com a WARC, mostrou que 73% das empresas B2B ainda operam em um nível intermediário ou baixo de maturidade estratégica, executando múltiplas ações de marketing sem uma direção clara de marca.
Ou seja: há muito fazer, mas pouco pensar.
Essa hiperatividade tática dá uma sensação de produtividade — mas esconde uma verdade incômoda: o marketing está reagindo mais do que conduzindo.
Campanhas que não conversam entre si, eventos desconectados do discurso institucional, conteúdos produzidos em escala… e pouca construção real de valor.
Filtrar é o novo verbo do marketing estratégico
Durante anos, o marketing foi medido pela sua capacidade de adicionar: mais ideias, mais canais, mais campanhas.
Mas o futuro pertence às marcas que sabem subtrair com propósito.
Segundo a McKinsey & Company (2024), 64% dos CMOs afirmam que o principal desafio de suas áreas é “encontrar foco em meio à fragmentação de canais e prioridades” — o que mostra que o excesso já se tornou um problema de gestão, não apenas de comunicação.
Filtrar é escolher o que representa o negócio e deixar de lado o que apenas ocupa energia.
É a coragem de dizer:
“Isso é bonito, mas não é estratégico.”
“Isso é tendência, mas não é coerente.”
“Isso é possível, mas não é prioridade.”
O marketing estratégico é, antes de tudo, um ato de curadoria.
É o que conecta todas as ações sob um mesmo eixo de significado — o propósito da marca.
Excesso é o novo ruído
O excesso de iniciativas cria o mesmo efeito que o excesso de estímulos: confunde, cansa e dilui.
Pesquisas da Deloitte mostram que apenas 39% dos clientes B2B afirmam confiar plenamente nas marcas com as quais fazem negócios.
Mesmo em mercados saturados de conteúdo e interação, a confiança — que é o verdadeiro ativo da marca — está cada vez mais escassa.
Isso prova que muita atividade não é sinônimo de relevância.
Pelo contrário: quanto mais desconectada a narrativa, menor a percepção de consistência e, portanto, de credibilidade.
A clareza estratégica é o que separa marcas que gritam das que são ouvidas.
Quando a empresa sabe quem é, sabe também onde não precisa estar.
O paradoxo da profundidade
Em tempos de velocidade, a profundidade virou diferencial competitivo.
Segundo o relatório Brand-to-Demand Maturity Study, empresas B2B com estratégias de marca consolidadas têm 4 vezes mais probabilidade de alcançar crescimento sustentável e reconhecimento regional do que aquelas que operam em modo reativo.
Enquanto a maioria persegue volume, as marcas maduras constroem direção.
Elas entendem que planejar com intenção é mais valioso do que agir por inércia.
Foco é o novo luxo.
E coerência é o novo crescimento.
Menos é método. Foco é poder.
O branding e o marketing estratégico da nova era não são feitos de mais entregas — são feitos de decisões mais conscientes.
De menos improviso e mais método.
De menos canais e mais consistência.
A maturidade de uma marca não se mede pelo quanto ela fala, mas pelo quanto ela sustenta o que diz.
É entender que uma presença sólida vale mais do que uma presença constante — e que o verdadeiro valor está em fazer o essencial com excelência.
💬 “A maturidade da marca se mede pela sua capacidade de dizer não.”


